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“A crise hídrica é um problema de todos, inclusive da engenharia”.

“A crise hídrica é um problema de todos, inclusive da engenharia”.

A região Sudeste vive a pior crise hídrica dos últimos 84 anos. Com isso, toda a população brasileira voltou sua atenção para este problema que tem se agravado há anos. A água, como todos os recursos naturais, é um bem finito e até bem pouco tempo não havia preocupação com sua obtenção e destino depois de utilizada.

Assim como medidas individuais para a redução do consumo, medidas coletivas e empresariais deveriam e ainda precisam ser tomadas para que não se chegue aos caos. “Ainda hoje, cada pessoa consome em média 200 litros por dia e sabemos que se mantido este volume, não teremos mananciais suficientes”, alerta o engenheiro civil Marco Stavis, da Cesbe Engenharia. É o que está acontecendo no Sudeste brasileiro.

Segundo ele, a engenharia tem papel importante para evitar o problema. “Nossa área deve desenvolver e utilizar equipamentos que consumam cada vez menos água, como válvulas de descarga especiais, torneiras inteligentes, chuveiros temporizados, etc.” Mas a contribuição pode ir muito além. “Temos capacidade para desenvolver e aplicar sistemas de controle e minimização de perdas em redes de distribuição de água, tecnologias já existentes que demandam apenas uma ação executiva”, explica.

Somente no ano de 2013 o governo federal investiu 18,4 bilhões de reais em tratamento de água e esgoto no Brasil. Entretanto, 36,95% da água tratada foi desperdiçada, segundo dados do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades.

Stavis salienta que o país deveria implementar sistemas de proteção de mananciais, cuja viabilidade ficou comprovada com o caso de Nova Iorque, onde a prefeitura firmou parceria com fazendeiros e faz investimentos em propriedades agrícolas a 200 quilômetros de distância para garantir a preservação das fontes, a manutenção das vazões e a  qualidade da água consumida na cidade.

Aumentar a capacidade de reservação de água bruta ou tratada também está entre as possíveis contribuições da engenharia para a minização da crise hídrica no país. “Agilizar estudos de novas fontes de obtenção de água, de acordo com as características de cada região; dessalinização de água do mar em cidades litorâneas; e utilização de água de reuso, em cidades com grande produção de esgotos, a partir de investimentos nas estações existentes ou com a construção de novos sistemas, como o Aquapolo, em São Paulo, uma iniciativa que junta capitais públicos e privados, são algumas das medidas citadas por Stavis nas quais a engenharia pode contribuir fortemente”.

Com participação da Cesbe, em 2014 foi concluída a construção da Estação de Tratamento de Esgotos de Campos do Jordão com capacidade para tratar 213 litros por segundo, a qual se destaca pelo uso de tecnologia de ponta. Ela contribui para a despoluição de cursos d’água, combina lodos ativados e membranas filtrantes, capazes de devolver ao meio ambiente um efluente de alta qualidade, que pode até ser utilizado como água de reúso para fins de jardinagem, lavagem de ruas e outros fins. Segundo Stavis, este modelo pode contribuir – e muito! – para o reaproveitamento eficiente da água. “O sistema de Campos do Jordão usa a melhor tecnologia disponível para tratamento de esgoto, permitindo sua utilização como água de reuso e, até mesmo, como realimentador de sistemas de água potável, o que demonstra que a Cesbe detém conhecimento atualizado para construir sistemas deste tipo”, diz ele.

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